quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Balancear a equação


Conversavam num bar sobre o poder de sedução da mulher.

― A sorte é que elas invocam umas com as outras, porque se houvesse união, se houvesse organização, estaríamos lascados... elas conquistariam o mundo com a facilidade que se bebe um copo d’água ― argumentou o amigo.

― Teríamos apenas uma chance, uma única e derradeira salvação ― ele contra-atacou. ― O cafajeste.

Fez-se um silêncio torto na mesa. Ele endireitou-se na cadeira.

― A mulher tem o desejo íntimo de salvar o homem dele mesmo. E é aí que o cafajeste entra: ele anula, elimina a sedução feminina. Ou, no mínimo, faz com que ela esqueça temporariamente a influência que nos exerce. Converter o cafajeste é o grande desafio da mulher, é a sua ambiciosa obra-prima, sua 5ª sinfonia, sua Monalisa, sua Laranja Mecânica, sua Seleção de 82...

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