quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Energia interna



Quando pequeno, ele tinha a mania de cerrar os olhos nas brincadeiras. Fechava-os e imaginava ser um animal, um animal selvagem que superasse os desafios do jogo. Mentalizava um leão para ganhar vigor, uma onça para ter astúcia, uma águia para ser veloz. Era mesmo dentro dele que nascia aquele ímpeto, a confiança de ser o próprio animal, de acumular as virtudes que o salvariam naquele momento.

Depois de muitos anos, lembrou-se disso. Lembrou-se que em algum instante do seu crescimento esquecera dessa energia interna. E resolveu tentar. Queria ver se ainda funcionava, se ainda tinha jeito para o truque.

Fechou os olhos com pressa. Pensou nos problemas que o atormentavam, nas angústias cotidianas, nos sobressaltos da vida. Concluiu que se fosse um leão, uma onça, uma águia, ganharia o que precisava para transpor as adversidades.

Reabriu os olhos cuidadosamente. A imagem tinha atingido sua mente. Não era de nenhum animal senão dele próprio, aos seis anos de idade. Aquela seria a imagem que, pelo resto da vida, mentalizaria quando quisesse buscar forças.

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