sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A felicidade dela


Ela havia encontrado a segurança nos relacionamentos. Depois de algumas frustrações, de romances conturbados, de lágrimas no travesseiro e apertos no peito, tinha a companhia de um homem que lhe dava suporte.

Amava-o com a lucidez de um amor consistente. Amava-o com o controle de um amor maduro. Amava-o perto e longe, na presença e na ausência. Ela experimentava um sentimento novo, uma sintonia de vontades, uma adequação de seus sonhos.

Na primeira chance, mudou-se – foram morar juntos em outra cidade, em outro país, em um continente distante. Ele não ouviu falar dela durante meses. A última coisa que soube, por uma amiga em comum, é que estava feliz. Mais feliz do que ela jamais pensou que pudesse ser algum dia.

Ele juntou todas as cartas que trocaram e rasgou-as uma por uma. Sem rancor. Cansado de esperar, cansado de supor, cansado do cansaço que o acometia, não pensou mais nela. Ou, pelo menos, lembrava-se sempre que tinha de esquecê-la.

2 comentários:

Alex Gruba disse...

rasgou as cartas sem rancor? ahãm, sei...

Gustavo Jaime disse...

Porra Gruba, pensei que a foto fosse te deixar menos "ácido"...

Abraço, amigo!