terça-feira, 16 de novembro de 2010

O anterior que antecede o antes


Há uma coisa sublime no beijo que não é o encontro dos lábios. Vem de antes. Daquele momento que precede as bocas se colarem: do leve toque, da respiração ofegante, ansiosa, aromatizada.

A vontade do beijo provoca taquicardia. Devia ser proibida para quem tem coração fraco (mas que paradoxo! A vontade do beijo é justamente melhor aproveitada por quem tem coração fraco).

Pensando bem, um beijo nasce antes dessa aproximação: nasce no olhar. No contato visual sem querer. Forçadamente sem querer. Os olhos buscam-se para perderem-se. Encontram-se para selar a cumplicidade – é o espelho do beijo.

Mas esta cumplicidade talvez brote ainda antes: no silêncio. É quando a fala descansa e a língua molha os beiços. É quando o assunto apaga, com intenção de acender a chama do enlace.

Ou... na verdade, um beijo começa na conversa, nas palavras, na inteligência.

Não: no sorriso de covinhas, na mão no cabelo, nas unhas pintadas.

No jeito de caminhar, de chamar o garçom, de fazer sim com a cabeça.

O beijo bom é garantia de sexo bom. Porque todas as magias tornam-se uma.

2 comentários:

Leandro Afonso Guimarães disse...

"um beijo começa na conversa, nas palavras, na inteligência.
Não: no sorriso de covinhas, na mão no cabelo, nas unhas pintadas.
No jeito de caminhar, de chamar o garçom, de fazer sim com a cabeça.
O beijo bom é garantia de sexo bom. Porque todas as magias tornam-se uma."

Bravo, Gustavo.

Mayara disse...

Um beijo começa no instante que o antecede! Na conversa, no afago, no suspiro, no olhar...e no que antecede a isso tudo...