sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O caminho que se escolhe


Café preto. Gostava de café preto. Era o seu combustível da manhã, seu despertador após o almoço, seu alento para as noites de dor de cabeça. Café preto. Gostava assim, sem leite. Uma colher de açúcar. Preto.

Embebedava-se com o cheiro. Gostava do café preto novo, feito na hora. Comprou cafeteira italiana, café colombiano, açúcar holandês, chávena marroquina, colher chinesa. Adicionava o pó com minúcia geométrica – não tinha receio do desperdício, era excesso de zelo.

Um dia o médico proibiu-o de tanto café. “Pode tomar uma xícara por dia, e não mais”, sentenciou. Entendeu que era assim ou então sua saúde iria ruir. Vendeu apartamento, negociou carro. Largou terno e gravata, emprego no escritório de contabilidade, divorciou-se da infelicidade, beijou a testa dos filhos e mudou-se para o campo.

Foi plantar café. Colher tranquilidade. (Tratou a doença, e não os sintomas.)

3 comentários:

Priscila Valdes disse...

Que lindo!!!

Sandoval disse...

Gostei... Parabéns!

Será possível plantar uísque?

i disse...

adoro café. preto, sem leite, com uma colher de açucar! sozinha e com companhia :)