terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu sei o que você quer...


Gostava das confusas, das atrapalhadas, das espontâneas. Porque ele mesmo, de certo modo, era tudo isso: confuso, atrapalhado e espontâneo.

O seu primeiro beijo, mais de uma década atrás, havia sido um fiasco. Ela se escondeu para surpreendê-lo. Ele vinha se esquivando das suas investidas há dois dias – talvez por timidez, talvez por falta de certeza que queria aquilo. Mas aconteceu na calada da noite, entre a sombra e as vigas de ferro:

― Eu sei o que você quer... ― balbuciou ele com voz de canastrão e tascou-lhe um chupão metálico.

Uma lástima. Os beijos seguintes foram melhores. Alguns, menos piores. Mas (quase) sempre precedidos por frases confusas, atrapalhadas e espontâneas. Ao menos, já não usava mais aparelho nos dentes.

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