segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A garçonete do morro


Na noite de confraternização da empresa, ele bebeu muito. Muito mesmo. Lembra apenas que tinha uma empregada de mesa linda. Linda mesmo. Antes de ir embora tomou coragem para pedir o número dela.

― Você devia perguntar meu nome antes, não? ― retrucou a morena.

Conseguiu: as oito letras e os oito algarismos devidamente registrados num papel. Vitória quádrupla, já que a visão estava a dobrar.

Contrariando a ressaca e as convenções, chamou-a para sair já no dia seguinte. Marcaram depois da aula dela (fazia Enfermagem, trabalhava no bar para pagar o curso) e foi pegá-la em casa. Com o endereço à mão, procurou a rua. Procurou e procurou até encontrar uma ladeira íngreme.

Encaixou a primeira marcha no carro 1.0 e subiu. Subiu mesmo. Era a última casa. Uma construção simples, ainda inacabada. E quando ele buzinou para avisar a sua chegada, pai, irmãos, avó e cães saíram à porta para saudá-lo e despedir-se dela.

Um comentário:

Alex Gruba disse...

cara, isso aconteceu com um amigo meu em um bar estilo açoriano em uma ilha no sul do mundo...