quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Jeito pra descomplicar


Ela tinha desatado o nó do peito dele. Vinha com um sorriso maroto para dizer que gostava de estar junto, queria descomplicar o presente. Encostava a orelha em seu ombro, passeava a ponta dos dedos no seu tórax nu, mordia de leve o lábio inferior.

E ele, de olhos vendados, subia a rua para encontrá-la. Passava nos mercados e cafés, no tapete verde, no salão de beleza, na praça redonda, no caminho de terra, nos edifícios iguais. Beijava-a longamente no adeus, em frente ao caixa eletrônico, e andavam de dedos entrelaçadas, misturavam o destino sem planos.

Ela tinha desatado o nó do peito dele. Quando sumiu, levou junto o laço para ele amar de novo alguém.

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