sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Charada berbere


Quando descobriu que ele era brasileiro, pediu sua atenção. Não queria dinheiro nem vender nada, como era normal na área. Queria apenas que escrevesse uma carta em português. Para um amigo em São Paulo.

Ele se arrepiou. Chamou os parceiros de viagem e abrigaram-se na humilde tenda à porta do deserto. O comerciante era berbere, um povo que habita o centro do país. Serviu o típico chá de menta e começou a contar charadas pro grupo.

A cada novo conto, sorria com o entusiasmo do anfitrião. “Perdemos a pureza do convívio”, ele pensou. E de todas as paisagens deslumbrantes e experiências culturais que teve, esse foi o fato mais marcante da jornada.

Separados por milhares de quilômetros e com histórias de vida completamente distintas, os dois haviam se unido naquele momento pelo poder das palavras.

Um comentário:

Mary Jo disse...

As palavras movem o mundo, mexem com qualquer coração,despoltam sentimentos e sentires. Quem serias nós sem elas?

(gostei gostei!)

beijo*