quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O coração no bolso


Quando ela surgiu naquele vestido azul-marinho, tomara-que-caia, ele pensou:

― Esta é pra casar.

Desceu do carro e fez questão de abrir a porta, coisa que na maioria das vezes o passava. Esperou ela recolher as pernas delicadas, o sapato prata, contornou o velho Corsa e sentiu uma tontura. Era ela. Afinal, era ela!

A noite foi magnífica. Show da Ana Cañas, jantar simples, mas agradável, risadas e confissões, um beijo tímido na despedida. Era ela. Sentia que, finalmente, tinha acertado.

No dia seguinte, ligou para chamá-la numa nova saída. Nada. Tentou mais tarde. Caixa postal. Mandou mensagem. Nenhuma resposta. E-mail. Ignorado. Enlouqueceu. Tinha sido um sonho? Começou a duvidar da própria sanidade.

Sempre que tocava Ana Cañas no rádio, sentia náuseas e mudava a estação.

5 comentários:

Alex Gruba disse...

tsc, tsc...
eu tb entro nesses erros. mas o que acontece é que é ela que escolhe, não você, Gustavo. salvo se vc for um George Clooney da vida, que é só apontar e escolher, vc tem de ficar na sua e esperar ela dizer que vc é o homem da vida dela.
mas não custa sonhar, né, que um dia tb teremos o prazer da escolha. :)
abraço.
PS: agora, cá entre nós, tu coloca beijo tímido e não quer ser chamado de blogueiro emo? ora...

Gustavo Jaime disse...

Hehehehe, boa meu amigo! "Blogueiro emo" é uma alcunha merecida pra este post, tenho de admitir. A realidade nem sempre é como gostaríamos que fosse, por isso existe a ficção - que às vezes também vem carregada de possíveis situações reais, para dar mais sensação de credibilidade. O que quero dizer é: ao contrário do que andam a pensar, este espaço não relata somente casos verídicos - é uma mistura para confundir. Para me confundir...

Alex Gruba disse...

tens toda a razão: navegar pela ficção é preci-necessário, como diriam uns amigos Novos Baianos.

só não se perca muito nas viagens da literatura... nada de exagerar no quixotismo, meu caro amigo ficcionista.

abraço!

Danielle Freire disse...

Só ontem fui apresentada ao som da Ana Cañas e achei uma delícia. Isso significa dizer que apesar das náuseas eu continuaria meu desencontro emocional ao som da doce voz da Ana.

Mary Jo disse...

A ficção também me confunde e ao mesmo tempo mantém-me sã, sobretudo mentalmente. E misturar os sentimentos que se vivem com os que se querem ou se sonham viver é perfeito.

Vivendo ou nao isso... havendo um misto de sensações quererá dizer algo com certeza :) sempre.

beijos!