domingo, 5 de dezembro de 2010

Samba intelectual


Conheceram-se na leveza do samba. Ela tinha aquele ar angelical que seduzia-o com distinta facilidade. Passo vai, papo vem, descobriu que ela frequentava duas faculdades: de Filosofia e de Artes.

― Meus filósofos preferidos são os alemães. Gosto de Heidegger, Jaspers, Kant, Hegel e Nietzsche. Ah, também o Wittgenstein, que é austríaco.

Aos sábados ainda fazia um curso de Psicanálise. Tinha uma compulsão por aprender nunca vista d’antes – se fosse ele especialista, poderia afirmar que vinha da cobrança excessiva dos pais na infância; se fosse sacana, diria que era pura e simplesmente falta de sexo.

Até a facilidade pro samba havia sido absorvida em aulas de dança.

― Sabia que o Cartola compôs As rosas não falam depois que a dona Zica, sua esposa, ganhou um ramalhete de rosas? Ela plantou-as no fundo de casa e na manhã seguinte as rosas já tinham desabrochado. Ela ficou espantada e perguntou pro Cartola o que tinha acontecido. Ele só respondeu: “Sei lá, as rosas não falam...”. E depois criou a canção.

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