sábado, 1 de janeiro de 2011

Eu espero por ela


― Ela também sentiu algo. Só não aconteceu nada entre vocês porque ela tem namorado, porque ela não quer passar por cima dele, não quer magoá-lo ― sussurrou a amiga, num canto da sala.

― Eu não vou desistir dela. Nós ainda vamos viver alguma coisa, eu tenho certeza. Vou cancelar o voo... Sim, parece loucura, mas vou cancelar e vou procurar um apartamento aqui pra alugar. Eu espero por ela. Não vou voltar.

Esperaria até os sentimentos tornarem-se irremediáveis, as urgências de ambos serem inadiáveis. Esperaria pela crença que o invadiu. Logo ele, tão cético. Crença naquilo que acelerou seu peito ao vê-la pela primeira vez. Mudaria de cidade, largaria emprego, anularia os compromissos firmados. As pessoas entenderiam. Os amigos apoiariam. Pelo amor. Quer motivo mais sublime? Pelo amor. Faria isso acreditando que o desejo de possuir todas as mulheres do mundo concentrava-se numa só: ela.

Era o que ele devia ter dito, devia ter feito. Mas seguiu a vida igual e os velhos planos, achando que uma hora ou outra tudo se ajeitaria. Passou um ano. Ela casou-se. Ele continuou na mesma cidade, com o mesmo emprego e os compromissos que não lhe diziam nada. Toda noite, religiosamente, ia fechando os olhos devagar ainda com aquela crença forte e inabalável.

Nenhum comentário: