segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Medo de amar


Recebeu um e-mail anônimo. Talvez nem fosse endereçado a ele. Hesitou por um instante, mas leu: “Queria sentir alguma coisa tão intensa que me virasse do avesso. Mas eu tenho medo”.

Experimentou a compaixão avassaladora por aquelas palavras. Teve vontade de contestar: “Pois não sinta. Não sinta medo por querer amar e ser amada. O amor pode ser perigoso, pode ser fatal, pode ser difícil e assustador, mas é das coisas mais profundas e revigorantes que há. Não sinta medo. Você não está só”.

Sabia o impacto da resposta, e não teve coragem de dar esperanças a ela. Afinal, o que ele sabia do amor? Pouco. Quase nada. Apagou a mensagem equivocada e continuou a fingir que era feliz.

3 comentários:

Uma mocinha não tão indefesa disse...

Minha mãe me ensinou que quando não temos nada de agradável a alguém é melhor não dizer nada.

Aí eu pergunto: utilizando o raciocínio contrário, se sabemos que nossas palavras podem trazer algum alento à outra pessoa, não deveríamos compartilhá-las sempre que possível?

Gustavo Jaime disse...

Boa questão. Devemos? ;)

Julianalis. disse...

Pode ser com palavras,ou não,elas nem sempre são necessárias quando você tem a sorte de ter em suas mãos tudo o que sempre quis e precisou.
O problema mesmo é continuar na hipocrisia sentimental do medo de ser feliz fingindo sê-lo.