domingo, 16 de janeiro de 2011

Nunca quis ser "amiguinho"


Aos 14, 15 anos era um medroso patético. Capaz de fugir de uma menina mais jeitosa por pavor da conversa, por receio de um possível enlace. No colégio, vivia paixões aéreas e fugazes. Paixões nunca correspondidas – nem mesmo sabidas.

Caso de Maria Clara, uma pequena de olhos apertados e beleza exótica. E de Bia, sua fiel escudeira de nariz empinado e corpo esbelto. Os três, ele e elas, eram unha e carne. Andavam pra cima e pra baixo numa amizade inocente e burra.

Ele lamentava a falta de coragem. Ora se via torto por Maria, ora tonto por Bia. Queria namorar uma, declarar-se à outra, mas enquanto sua predileção seguia indefinida, esbarrava na fobia de se expor.

Anos mais tarde, depois que a vida separou o trio, reencontrou Maria Clara. Ele agora namorava sério, estava noivo, era leal. Admitiu, porém, enrubescido:

― Nunca quis ser seu amiguinho. Sempre fui apaixonado por você, mas tinha medo de me revelar...

Ela escutou quieta. As palavras confundiam-na. Gostava dele e achava que ele gostava de Bia. Num arroubo trágico, ergueu-se cósmica, abriu a bolsa e arremessou um cartão na mesa do café:

― Pois depois de tanto tempo, não somos mais amigos. Você agora tem meu número. Vamos ver se supera o medo.

E saiu, triunfante, sem que ele conseguisse flagrar seu imenso sorriso.

2 comentários:

Drêycka disse...

Putz! Essa menininha aí é danada, hem? rsrsrs

Caro Gustavo, obrigada pela visita la no meu blog!!! Volte sempre.

bjs!
DREYCKA
http://dreycka.blogspot.com
ANOTHER THOUGHTS

Sujeito Oculto disse...

Seu blog é muito bom também! O estilo é parecido. Vou te linkar no meu e passarei aqui mais vezes.

Sobre o post, lê isso aqui e vê se te lembra alguma coisa.