sábado, 15 de janeiro de 2011

Para 2011: ser um canalha


― Cansei de ser bonzinho! ― ele admitiu.

Resolveu ser um canalha em 2011. Um daqueles malandros dos anos 30. Até optou por deixar o bigodinho a Clark Gabe. Comprou terno branco e sapato bicolor. Passou a fumar cigarrilhas Gabriela. Para ser canalha com estilo.

― Cansei de receber os predicados afáveis, os adjetivos mais tenros do mundo. Vou ser um estúpido, um sacana, um cretino fundamental!

A reputação de bom rapaz arderia na fogueira da década passada. Perdia as contas de quantas vezes acreditou nas mulheres – mulheres que o fizeram de trouxa, aproveitaram da sua inocência, passaram por cima da sua pureza.

― As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado! ― urrava, citando Nelson Rodrigues.

Um canalha, como muitos por aí, a ludibriar rabos de saia. Amante frustrado. Infiel solitário. Mais um com a alma extirpada, o coração arruinado, a esperança esmigalhada. Um dócil, porém convicto, canalha.

3 comentários:

i disse...

A alguns até a canalhice cai bem*

Alex Gruba disse...

não há canalha que não seja "doce" e não há "doce" que não seja canalha. o Século XXI taí pra acabar com qualquer tipo de dualismo, exceto o Gre-Nal (essa rivalidade é mesmo doentia...)

Sujeito Oculto disse...

Como disse um amigo meu: "Gracinha é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!"