domingo, 2 de janeiro de 2011

A saboneteira e as covinhas


Há encantos femininos inexplicáveis. Outro dia um amigo ligou para confessar:

― Estou apaixonado. Perdidamente. Não como nem durmo direito.

Ora essa, logo o Flávio? Um sujeito imune a qualquer tipo de impulsividade sentimental. Quer dizer, quase imune, parcialmente imune.

― Ela tem o que mais aprecio numa mulher! Você sabe qual é o meu calcanhar de Aquiles! Ela tem a saboneteira linda, uma saboneteira de Monica Bellucci, de Catherine Zeta Jones. Eu sou caidinho por aquela saboneteira...

De fato, era tiro e queda. Dava até dó. Flávio via uma mulher de vestido e logo buscava o pescoço dela, o cólon, o peito, a postura dos ombros. Preferia as que não usavam fios ou colares. “Para realçar...”, dizia. E ia além: valorizava mais a saboneteira que um sinuoso decote.

No quesito fetiche só perdia pro Celso. É que o rapaz tinha um zelo todo especial pelas covinhas femininas. Não as da bochecha – aqueles dois furinhos em cima das nádegas. Para ele, as covinhas eram mais transcendentais que um autêntico caráter, que um magnífico sorriso.

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