sábado, 29 de janeiro de 2011

A sina de ser o outro


― Porra meu, este negócio de amor é complicado demais!

(Desabafava por telefone com um amigo distante.)

― Eu nunca acerto uma. É uma sina, uma coisa que me persegue. Interesso-me por uma garota e ela já tem alguém, já tem namorado.

(Ouvia o silêncio como resposta e não se calava.)

― Lá se foi outra... outra paixão não realizada, outro conto desperdiçado.

(O amigo rompeu a mudez e resolveu intervir.)

A paixão é uma espécie de sonho que se deteriora com a realidade, parece sempre exigir sua frustração, sua impossibilidade de realização. Melhor assim, melhor que fiques com as lembranças na sua cabeça. E mais nada.

― E o amor? Nunca vou experimentar uma história de amor?

O amor feliz não tem história. Só o amor ameaçado é digno de um romance. Não é o que pretendes ser? Um escritor? Aprenda com tudo isso.

― Para quê? Afinal, de que vale aprender a amar?

― Não, isso nunca se aprende. O amor sempre permanecerá impermeável à experiência. Aprenda a seguir sem ansiar. Um dia teu coração se acalmará das dúvidas.

Um comentário:

Mary Jo disse...

Continuo completamente certa de que a nossa escrita combinaria lindamente num livro :) beijo*