quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tem de ter o que apertar


― ...mas é óbvio, rapaz! Tem de ter o que apertar! ― escutou do homem de terno e gravata que abandonava o caixa eletrônico enquanto falava ao telefone.

Aquela frase de efeito povoou seus pensamentos mais vagos no decorrer do dia corrido. “Ter o que apertar”. Conversava sobre o quê? Mecânica? Reforma da casa? Mulheres? Bem, ele só conseguia concluir que o tema fosse mulheres.

É bom sentir a carne feminina nas mãos, suspirou. Ela não deve ser magra de mais, nem desfilar um corpo malhado – barriga quadriculada é horrível! Mulher boa, boa mesmo, tem curvas, nuances, perigos e, por que não?, relevos.

“Sábio filósofo corporativo”, repetia mentalmente. Tem de ter o que apertar!

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