segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Acionado o código M.S.


― Aí, conheci uma M.S. que é o teu número! ― afirmou eufórico, surgindo como um ninja na frente da mesa de trabalho do amigo.

― Ah é? Quanto tempo? ― ele quis saber, refeito do susto.

― Cinco. Ela já costuma sair e tem com quem deixá-lo.

― Maravilha. Menino ou menina?

― Menina.

― Perfeito!

O código entre os dois tinha sido criado num happy hour semanal, no mesmo boteco foleiro de sempre. O M.S. representava mãe solteira. “A melhor coisa que há”, segundo ele. O amigo até arrepiava e dispensava esse abacaxi. Ficaram combinados que a M.S. que cruzasse seu caminho seria reservada ao colega.

― Até hoje não entendi essa sua predileção, mas tudo bem ― admitia.

― Já te disse: a mãe solteira não enrola, não faz jogo e, se acontece de se entregar, vem com tudo, pra tirar o atraso. Além disso, ela já tem de quem cuidar e não fará de ti um bebezão, como a maioria delas faz ― explicava sob o olhar resignado do outro.

― Mas e a responsabilidade, meu velho? Ela tem uma criança. É coisa séria. Depois tem o pai, a família... Você vai herdar uma confusão sem tamanho...

― E o que somos todos nós num relacionamento se não desordens ambulantes? Prefiro uma mulher adulta com uma criança que uma mulher-criança, que terei de desempenhar papel de pai. Isso sim é excesso de responsabilidade.

2 comentários:

Ricardo disse...

É, ontem também comprei um aspirador e me diverti à bessa experimentando suas funcionalidades. No entanto, sua foto está demais! É muito mais sugestiva. Se calhar devia ter comprado essa marca...

i disse...

I can see the point...
Já barcelonando? quero saber novidades!