domingo, 13 de fevereiro de 2011

Aliança: isca de mulher


Comprou uma aliança. Não foi difícil escolher. Certa tarde foi ao centro da cidade, entrou na primeira joalheria meia-boca e pediu pelo anel mais reles.

― De casamento? Noivado? Compromisso? ― inquiriu o vendedor semicareca, com suor a deslizar pelas têmporas.

― De amante ― respondeu, com um sorriso malicioso pousado no canto dos lábios.

Era uma aliança para fingir que tinha esposa, para forjar responsabilidade, enganar quanto aos cuidados conjugais. Mas, também, para emoldurar a trama de que era infeliz e carente, que já não se entendia com a mulher na cama, que tinha casado jovem e ela tinha sido a única paixão na sua vida.

Com o roteiro comprado pela falsa amante, dispensaria qualquer compromisso e driblaria as cobranças. Podia ir embora logo após o sexo, alegando que não queria dar motivos para a esposa desconfiar. Podia sumir por semanas e atribuir dificuldades em casa. Figurava o plano infalível.

― Mas você não tem vergonha na cara? Isso é sacanagem, pô! ― repudiou um amigo, que soube da trapaça.

― Sacanagem por quê? Só estou proporcionando a aventura e a fantasia que essas mulheres buscam. Melhor fazer isso sem magoar ninguém real, a não ser minha esposa fictícia. No fim das contas, saímos todos ganhando: eu e elas. Sem a mentira o mundo seria de uma frigidez entediante.

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