quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O milagre de despir uma mulher


A experiência mais marcante na vida de um homem é a de despir uma mulher pela primeira vez. Ele recordava-se, agora, do seu debut. Tinha pouco pêlo no rosto, as mãos trêmulas e o coração a debater-se dentro do peito.

― Relaxa... ― ela disse de um jeito acolhedor.

A cada peça de roupa removida, suas batidas multiplicavam. Lembrava quando deslizou a alça do sutiã pelos ombros nus – até hoje era algo que se divertia fazendo – e descobriu como tesouros no fundo do mar a marquinha de biquíni e os biquinhos dos peitos duros. Aquela era, até então, a imagem mais transcendental de toda a sua existência.

Desabrochou cada botão da calça parcimoniosamente, mas chacoalhava dos pés à cabeça. Escorregou o jeans justo pelas coxas lisas, superou joelhos, canelas e pés bem cuidados... O mundo refazia-se à sua frente. A calcinha era azul-calmo como o céu. Estava hipnotizado pela visão dela seminua, com seus seios firmes e o quadril confiado a ele.

Como um órfão da primeira vez que despira uma mulher, vivia tentando repetir aquele momento mágico. Mas o milagre era único – e desde aquela noite começou lentamente a encaminhar-se para a própria morte.

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