sábado, 26 de fevereiro de 2011

Retorno à cidade feiticeira


Com mais de um ano de atraso, ele estava de volta. Caminhava pelas ruas em que, num certo domingo de inverno, chegou a pensar que fosse imortal. Regressava à cidade bruxa, à cidade feiticeira de Gaudí, de Miró, de Zafón.

Passaram-se 13 meses desde que escutara aquela voz doce em seu ouvido dizer: “Hasta mañana”. Agora, o amanhã era hoje e tudo se apresentava diferente da promessa. Seus olhos buscaram as lembranças na Plaça de Catalunya, reviraram o Barri Gòtic e pousaram perdidos no Mediterrâneo. Nenhum sinal dela.

Tinha Barcelona toda à frente, bela e desnuda, menina-mulher com suas curvas insinuantes, pronta para que ele reescrevesse sua história num misto de fábula e lógica. O vento ameno da primavera ainda virgem acariciava seu rosto. Teve a sensação da eternidade novamente.

“Não me atrasei”, concluiu sereno enquanto subia La Rambla. Chegava a tempo. O destino esperava-o fumando um Chesterfield e lendo o La Vanguardia em alguma esquina da cidade. Só não sabia ainda em qual.

4 comentários:

i disse...

:) daqui a duas semanas tb me mudo para uma nova cidade!

Danielle Freire disse...

"O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato."

Que seja!

Salvador disse...

Boa tarde, Jaime...

Sabe, não conheço Barcelona. Já estive de mala pronta duas vezes para ir conhecer, mas acasos do destino não o permitiram. À terceira será de vez ))

Mary Jo disse...

Amei! Não foi atraso.. chegaste na hora certa? Esperas um retorno meu? =)

beijo!