quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sexo anal (Parte 2)


“Ah, os tabus de sexo...”, pensou durante os breves segundos em que ela expôs suas interrogações como uma metralhadora giratória. Terminou de mastigar três batatas fritas, engoliu-as a seco, lambeu os beiços de sal e discursou:

― Poder, Flavinha. É tudo questão de poder. O homem gosta tanto do sexo anal porque lhe dá a sensação de possuir a mulher, de domínio sobre ela. É uma coisa de submissão, sabe? De passividade, inclusive. É a nossa veia instintiva, nosso lado selvagem, nosso regresso às cavernas...

Escovou os dentes com a língua e continuou:

― Além disso, o fato de a mulher topar o sexo anal mostra que existe uma entrega dela, uma certa doação total. Porra, isso excita o cara! Tem muito a ver com a intensidade do negócio, com uma satisfação psicológica, muito além do prazer carnal, percebe?

Ela pareceu consentir. Nas matérias sexuais, o momento seguinte à retórica é sempre o mais revelador. Permaneceu muda. Devia estar pensando em alguma experiência recente, algum caso que se deu com ela, alguma proposta feita ou que viria a acontecer. Voltou a recostar na cadeira, mais relaxada, e pediu outro Sex on the beach.

Ainda pensaria um bocado no tema.

4 comentários:

Ricardo disse...

Muito bem escolhida sua foto para ilustrar o seu ponto de vista. Quanto ao resto, há muitos ses na blognovela. Mas uma história é uma história. Se já está contada, não há que contrariar o finalmente. Partamos para outra.
Já agora, estava a ler a explicação dos 7 cronistas crónicos - sete amantes da escrita, entre brasileiros e portugueses, porque não «partilham este espaço»? É que os amantes atraem outros amantes...

Gustavo Jaime disse...

Pois é, Ricardo... existe, na verdade, alguma ideia sobre abrir um ou outro dia para colaboração. Mas isso ainda não foi conversado e como somos sete tem de ser uma coisa bem "sincronizada". Mas vamos ver... a proposta foi colocada. Em breve, quem sabe, temos novidades!

Abraço

Ricardo disse...

Não foi isso que quis dizer. Os sete, todos com estilos diversos, estão bem e recomendam-se. A página não deixa de ser desses 7 cronistas crónicos mas é partilhada por muitas outras pessoas que opinam acerca dos temas tratados. O que acontece é que os textos são enriquecidos com essas opiniões. Então a página é de muito mais gente, uma espécie de muro das lamentações da malta...

Abraço para você também

Sandryne Barreto disse...

Eu diria a Flavinha que não é uma questão de se submeter ou de atender a um pedido ou expectativa. É uma questão de ela querer, de ela estar a fim, o resto é consequência.