terça-feira, 15 de março de 2011

Aroma fiel de prazer


Era um tipo olfativo. As mulheres conquistavam-no pelo cheiro natural que nascia no pescoço e ia até o cólon, pelo aroma que aturdia antes de um beijo, pelo olor de prazer que exalava da vagina molhada de excitação.

Um dia casou. Na igreja. Trezentos convidados, recepção em hotel de luxo. Carpaccio de avestruz e uísque escocês. Casou com aquela que o enlouquecera antes mesmo de roçarem os lábios. Aquela que só de dividirem o ambiente já o incidia a desejos eróticos lascivos. Casou, para além da bela e inteligente moça, com o deleite olfativo que ela o proporcionava.

Como num conto de fadas, a carreira deslanchou depois do matrimônio. Passou a representar a empresa em outras cidades. Quando voltava para casa, após dias e dias de ausência, recebia e era recebido por uma paixão ainda juvenil, ainda de primeiro encontro. O tesão pelo cheiro da esposa não cessava, não sucumbia ao tempo.

O segredo era simples. Ela sempre depositava na bagagem do marido uma calcinha com seu perfume íntimo e infalível. Escolhia uma nova peça para cada viagem, a usava por 24 horas e depois escondia no fundo da mala, entre as calças oxford e as camisas sociais. Como um cão que sabe o caminho do lar, não tinha como ele ser infiel ao próprio faro.

Nenhum comentário: