domingo, 13 de março de 2011

Despir uma mulher com os olhos


Os dois amigos vinham pela Carrer de Sant Salvador lembrando o jogo do Barça, o golaço do Messi, a atuação esplendorosa do Iniesta quando uma morena digna de publicidade de lingerie cruzou-lhes a frente.

Instantaneamente o assunto findou. Emudeceram. Não havia mais Messi ou Iniesta. Não havia mais magia blaugrana e chegaram mesmo a duvidar se alguma vez o próprio futebol existiu. Ela deteve-os com um “perdó” delicado e pediu informação. Queria saber da Plaça de Rius i Taulet, a da torre com o relógio.

Enquanto explicavam a vereda entre prédios gris, sentiram o perfume de seu cabelo negro e a inocência de seu sorriso branco colorirem a noite. Imaginaram aquela aquarela despida e exposta: a firmeza de seus seios, o desenho de seu umbigo, a textura de suas coxas, a curva de suas nádegas, a depilação que escolhia...

Ela agradeceu a ajuda e seguiu. A dupla, atônita, ainda acompanhou os movimentos de quadril até a musa sumir pela Carrer de Verdi. Ignoraram de vez a resenha esportiva e empreenderam o resto do trajeto num silêncio dissoluto. Num silêncio de fazer corar.

Um comentário:

Julianalis. disse...

É tão bela a forma dos homens encararem o stress,a grande emoção de uma mulher bonita. Pena que eu sou uma das poucas que acha isso magnífico!