quarta-feira, 20 de julho de 2011

Só se pensa... naquilo

Venhamos e convenhamos, depois dos 25 o homem só pensa única e exclusivamente numa coisa: sexo. Não somos capazes de driblar essa obsessão nem quando saímos para comprar um pão. Vejam vocês que os assuntos nas mesas de bar são sempre sexo, sexo e sexo. E quando digo homem, faço uma retificação justa – homem e mulher de ambos os gêneros. Somos uns tarados de babar na gravata. Qualquer minimalismo na rua, um olhar trocado, um toque acidental de braços, uma coxa à mostra é um afrodisíaco infalível para nossos desejos mais primitivos.

Reparem no vaivém do metrô, no entra e sai de gente, nas pessoas que quase se sentam umas no colo das outras. Aquilo é um antro de selvageria contida, uma bolha de ar pornográfica pronta a estourar – e diria mais: todo e qualquer vagão do transporte público é um espaço em potencial para uma orgia dionisíaca, um bacanal anterior ao próprio Marquês de Sade.

Dirão vocês, leitores: — O ônibus também carrega esta tensão sexual em seus sacolejos intermináveis! É verdade. Mas o metrô nos inflige estar cara a cara com o objeto cobiçado, nos obriga a afrontar por minutos a nossa face mais instintiva. Lembro de uma mulher de uns 40 anos de idade, uma mulher de negócios em seu tailleur escuro e salto fino, que me encarava a cada trinta e dois segundos cronometrados. Já me sentia despido, desnudo, despojado – e confesso: também a desejei nua, indolentemente, incessantemente.

Quando estava na faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa o que mais me impressionava não eram as aulas do professor Adriano Duarte Rodrigues ou do Jacinto Godinho; eram os hormônios pulsantes na esplanada. Explico – antes ou depois das aulas, mesmo durante, os estudantes reuniam-se no pátio para conversar, tomar um café ou uma cerveja (sim, vendiam cerveja na faculdade) e exercitar o flerte. Sempre senti naquele ambiente uma incontrolável volúpia libidinosa.

Se baixasse o reitor, com sua careca de Hercule Poirot e seu poder categórico de estadista, como uma espécie de divindade catedrática, e anunciasse grave e fatal que tudo e qualquer coisa estava liberado na esplanada, tenho a convicção freudiana de que não sobraria um aluno com roupa. Uma alma viva coberta. E então as ciências sociais e humanas se transmutariam em algo muito melhor, muito mais sublime, muito menos hipócrita.

Nenhum comentário: