quarta-feira, 10 de agosto de 2011

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Meus amigos, resolvi reinaugurar o blogue. Podem me chamar de instável, de fraco, até de imbecil. Mas além de tudo, acima de qualquer coisa, sou impulsivo. Fechei e abri este espaço três ou quatro vezes. Esta é a quarta ou a quinta? Ora, ninguém está contando. E pouco importa. Diria mais: em nada importa quantas vezes perdi a vontade de escrever aqui, isto é coisa minha, só minha, toda minha.

Agradarei a uma amiga com o retorno, uma escassa e numerosa amiga: Sandryne Barreto. É que Sandryne é a única que até hoje se posicionou a favor das minhas crônicas e não dos meus contos. Não que ela abomine a ficção, apenas prefere os relatos cotidianos e despretensiosos. Minha cara admiradora literária – e quase disse minha única admiradora literária –, tentarei ser fiel à regularidade desta vez.

O fato é que a escrita me volta com a sombra de um aspirante a homem centenário: Nelson Rodrigues. Tenho A Menina Sem Estrela em mãos e ouso afirmar que é o melhor livro que já li. Mas a confissão da impulsividade na segunda linha esvazia completamente a carga racional dessa efusão emocional. A Menina... é Nelson em seu estado puro. Ainda melhor: é o ser humano em seu estado puro. É o tipo de escrita, sem barreiras sociais ou medos próprios, que almejo atingir.

Esta semana conversava com uma amiga distante, a jovem e fascinante Natália Calderón, justamente sobre ser aquilo que a gente no fundo sabe que é. Nelson foi capaz de se aproximar dele mesmo, pelo menos na literatura, na dramaturgia, na crônica, no conto. Em cada fragmento de seu texto, em toda palavra que elegia, há o autor obsessivo, o Anjo Pornográfico, o gênio e o pulha.

E agora, vejam só, tento imitá-lo em estilo acreditando que encontrarei a minha liberdade, a face oculta de mim mesmo. Nelson foi só um; ululante, mas um, e não mais. Valeu por tantos. Cunhei uma frase rodriguiana pensando no amor frustrado, mas que caberá aqui: “O fatalismo não é buscar a pessoa certa, e sim buscar certa pessoa em todas e qualquer uma”. Inclusive dentro de nós. Até amanhã.

4 comentários:

Bípede Falante disse...

Faz muito bem que a casa é sua e você a fecha e abre e fecha e abre quantas vezes quiser!!
beijo.
BF

Uma mocinha não tão indefesa disse...

Acho que esse tipo de cirse é comum em relacionamentos longos como o que você tem com seu blog, rs...

Brincadeiras à parte, acho que preguiça dá em todo blogueiro de vez em quando, não importa o quanto amemos escrever... Mas fico feliz que siga repensando e voltando atrás em suas decisões, sou fã do seu cantinho. :)

Sandryne Barreto disse...

Poxa, ser comentada no texto do meu cronista preferido é, no mínimo, emocionante. E na correria dessa semana, esqueci a volta desse casamento que tanto adoro: Gustavo Jaime + Crônicas. Se um dia escrevi bem o que quer que seja, foi motivado e inspirado em vocês. Até amanhã

Anônimo disse...

Um anonimato descarado. Repito o que você me disse: "Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo." (Hermann Hesse)". Porque eu simplesmente não esqueço aquilo que me toca. E você, como Hermann, toca.