quarta-feira, 31 de agosto de 2011

15

Agora paro para pensar bem: sou dos amores impossíveis. Drummond dizia que o único e verdadeiro amor é o amor impossível. Acho que nasci com ganas de não viver o amor – ou melhor: de viver o amor na essência do poeta, o amor impossível, o amor irrealizável.

Cibele foi, durante um ano e meio, do término da relação até a minha ida embora de Florianópolis, o meu verso de Drummond. O escritor mineiro nunca esteve tão certo, e nunca imaginou que teria tanto êxito quando cunhou a frase. Era agosto de 2005 e largava a vida estável, possível, real e palpável pela impossibilidade. Não a impossibilidade única e exclusiva da Cibele, mas a impossibilidade do amor em suas maneiras múltiplas e distintas formas.

O que não estava claro para mim naquela época é que não era pela Cibele que me apaixonava. Apaixonava-me pela paixão, pela capacidade que ainda tinha de apaixonar-me outra vez. Antes do outro, antes da pessoa, é pelo sentimento que nos enamoramos. Sentia, a partir dali, que minha vida podia ser mais – estava além do script previamente definido. Minhas vontades reacenderam-se com força. Vontade de viajar, de mudar, de experimentar. No entanto, uma vontade sobressaía acima de todas: a da solidão.

Ouso dizer que, depois disso, minhas paixões só deram certo porque deram errado. Porque continuei conservando a solidão. É muito mais fácil assim. Ainda que de um ano e meio para cá eu esteja disposto a viver a dificuldade.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Vontade de viajar, de mudar, de experimentar. No entanto, uma vontade sobressaía acima de todas: a da solidão."

Estranho quando te leio parece que me leio. Não sei porquê, e nem se deveria sabê-lo. Como já te disse uma vez, é bom só pela possibilidade de pensar, sendo que não se precisa pensar. Mais ou menos por aí...

(não sei se sabe quem é, mas não fará diferença se não souber. (: