terça-feira, 16 de agosto de 2011

5

Sou o brasileiro mais antibrasileiro que conheço. Não tenho nada contra o indivíduo, o particular, o ser: meu problema são as massas fluviais e burras. O brasileiro junto de outro brasileiro é um estúpido de babar na gravata – e só não anda de quatro porque ainda lhe resta alguma dignidade humana.

Disse brasileiro e reforço: o brasileiro do exterior é ainda mais brasileiro, mais pulha, mais desprezível. Vivo há três anos entre Portugal e Espanha, já percorri outros países europeus, estive nos Estados Unidos e conheci boa parte do Marrocos, e minha experiência tupiniquim é, digamos, uma antiexperiência. A vontade de exibir-se brasileiro em terras estrangeiras nos torna uns macacos de circo.

Antes que os idiotas se amontoem num furor épico, entenda que meu discurso não enaltece ou enriquece o sujeito do Velho Continente. Muito menos despreza as minhas raízes. O brasileiro precisa aprender a receber críticas de outro brasileiro – e criticar o brasileiro – sem sentir-se perseguido pela nova inquisição. Qualquer um já quis fugir do Brasil, já quis largar o Brasil, desejou ferozmente abandonar o tropicalismo.

Por essas e outras que fujo das multidões errantes em verde-amarelo, das orgias de brasilidade, da masturbação coletiva de ego. Só alcançaremos, de fato, o respeito e a confiança no dia em que soubermos nos comportar diante do outro, da diferença, do incomum sem a ansiedade eufórica e insensata de desfilar nossos estereótipos. Somos um povo alegre por si só – não precisamos estar sempre com um sorriso de plantão.

Enquanto legitimarmos os lugares-comuns seremos sempre e eternamente o antiBrasil, o Brasil das contradições de ordem e progresso. Até amanhã.

Nenhum comentário: