sexta-feira, 19 de agosto de 2011

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Eu não acredito em amor eterno. Antes disso: acho o amor eterno uma crassa e inepta mentira. Já vivi o amor eterno e ele se desgastou, se esgotou em si mesmo e terminou após seis anos. No cinema, venhamos e convenhamos, no cinema ele só dá certo porque o filme acaba, porque os créditos sobem na grande tela e os holofotes rompem a escuridão da plateia.

Uma vez cri na infinitude do amor. Uma vez não – várias. Era jovem (talvez ainda o seja) e imaginava que teria uma mulher, uma única e numerosa mulher, em toda a minha trajetória romântica. Sempre a busquei, e o pior: continuo buscando-a. No meio do caminho, apaixonei-me por quem prezava e desprezava meu sentimento, por solteiras e comprometidas, atrações reais e imaginárias.

Tenho um sem-jeito patético para tal coisa. Se tiver de cravar o início de tudo, direi que foi aos treze. Aos treze anos o homem é o sujeito mais solitário do universo. Recordo-me da colega de inglês – parecia uma bailarina de caixinha de música. Justo no primeiro dia de aula encendeu-se a paixão. Chamava-se Petra.

Petra nunca soube do meu amor mudo por ela. Sempre nutri pelos meus alvos uma rejeição tola. Quanto mais gostava, menos palavras dirigia à garota. Nem um simples olhar, nem um mero sorriso. Ignorava sua presença por uma timidez inexpugnável – hoje o meu sem-jeito continua, mas em vez do distanciamento, acerco-me com toda e qualquer volúpia, e as coisas se passam na minha mente com uma intensidade aterrorizante antes de tornarem-se palpáveis.

Entretanto, a paixão por Petra passou, ou foi substituída por uma paixão pela sua melhor amiga: Ana Luiza. Talvez tenha sido a primeira mulher que realmente amei. Ainda em silêncio, ainda num acanhamento fatídico, tendo Antes das seis, do Legião Urbana, como música de fundo (lembro que a escutava sempre ao dormir, num roteiro pobre de filme tipo B). Mais tarde, Ana soube dessa admiração. E pior: descobri que era mútua, era recíproca, era possível de se viver. E por medo de arriscar, por medo do ridículo, não me expus. Até que jurei que não perderia mais chances como essa.

Tardaram outros treze anos para finalmente conseguir acatar a promessa. E o que aprendi é que o amor eterno não existe se realizado. O amor eterno só sobrevive se não acontecer.

3 comentários:

Bípede Falante disse...

Estou tentada a concordar. Mas ainda tenho algumas duvidas, que eu não sei se sei definir o que é o amor. Se for de um jeito, tem prazo de validade. Mas se for de outro, pode não ter.
Sei lá :)
Beijo.
BF

Cynthia disse...

Quero também não acreditar no amor eterno...pois me torno saudade só em lembrar do meu amor.Quem inventou o amor?
Me explica por favor!!!!

Gosto muito de ler seu blog, faz algum tempo que acompanho seus posters. O encontrei por acaso e desde desse dia visito-o sempre.

Sandryne Barreto disse...

Não tem jeito: tuas crônicas de amor são imbatíveis. Sejam esses amores platônicos,eternos, realizados,frustados...pouco importa. Já chorei escutando Antes das seis,já criei roteiros e mais roteiros em cima dela, mas sempre com finais felizes,claro.;)