sexta-feira, 9 de setembro de 2011

21

Há um poema, o final de um poema para ser mais exato, que diz o seguinte: “o amor fascina, mas nunca é remendo”. Sim, meus escassos leitores, volto ao tema do amor com uma obsessão férrea. É inevitável fugir dele. O amor regressa às minhas mãos como um bumerangue lançado no quintal de casa. O assunto me persegue, me fareja, me vigia.

Mas e o poema? Sim, o final do poema é de uma lucidez pétrea. Fascina, mas não é remendo, não é remendo, não é remendo. A repetição pendular me hipnotiza. Qualquer repetição, qualquer mentira mil vezes dita, torna-se uma verdade. Vou além: – qualquer verdade mil vezes dita torna-se um mantra, uma doutrina a seguir.

Já mencionei nestas notas numeradas uma amiga catalã chamada Clàudia. Pois antes de ela passar um mês no Brasil, eu e Clàudia vivemos uma história. Curta, leve e sem significação. “As coisa têm existência”, escreveu Alberto Caeiro. Eu e Clàudia existimos. E existimos muito bem existidos até o derradeiro e conclusivo momento do sexo.

Falem do carinho, do respeito, das afinidades. Inocência, pura inocência. Nada disso conduz o amor. Melhor: – nada disso define o início de um amor. Amor sem sexo é amizade. Mas em que parte da trama eu estava mesmo? Sim, na que eu e Clàudia vivemos uma breve história – até a hora do “vamos ver”. E o sexo aconteceu com algum atropelo de volúpia, com certa sofreguidão dos corpos nus. Não sei como descrever o que se passou. Se sei, ainda não estou apto a fazê-lo.

Todos sabemos que a primeira vez não é a ideal. A primeira vez é o joelho na costela, a diferença de ritmo, as manobras comentadas. Normal. Só a prática confia  intimidade ao ato sexual. A prática molda a relação na cama – ou a torna enfadonha. Já fujo outra vez do tema. Após a nossa primeira vez, Clàudia explicou-me que não queria se envolver, que começava a nos ver como um casal, que em breve estaria um mês longe e preferia estar sozinha. (É quando o orgulho do homem é dizimado, aniquilado, ceifado quase por completo.)

E assim foi. Trinta dias passaram e domingo ela voltou.

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