sexta-feira, 16 de setembro de 2011

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Cansei do mais ou menos. Cansei do meu coração não encontrar par. Estes meses – e não ouso dizer anos para não parecer apocalíptico – têm sido difíceis. Preencho minhas vontades de desbravar o mundo exterior enquanto o mundo interior vai desmoronando aos poucos. Tornei-me mais forte, é verdade. Mas ao mesmo tempo esqueci o que é amar.

Amar, de fato. Amar sentindo o olhar de admiração. Longe do nosso hábitat, ouso dizer, o amor torna-se quase uma utopia. Ou melhor: uma paisagem. O amor transmuta-se numa pose de foto, numa capa de livro. Passamos a amar menos e ser menos amados. Amei uma única e escassa vez nestes três anos d’além mar. E talvez nem tenha sido amor – tenha sido paixão, atração, leveza.

“Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra.” A frase é do Rubem Braga, mas às vezes penso que é minha por usucapião. Quando deixei Brasília, e depois Florianópolis, tinha a convicção dos meus atos, tinha noção que era a melhor escolha, só não sabia que teria de abdicar do amor. Que esqueceria o que é amor. Se tivesse de fazer tudo de novo, não hesitaria um só instante. Apenas começo a desacreditar numa vida que imaginei que teria.

Optei por um quarto, por um emprego que paga pouco, por viver sob uma cultura diferente, com amigos itinerantes. Tudo isso em vez da rotina, em vez de seguir o rumo que normalmente a vida toma. Ah, se ao menos pudesse colocar no papel como realmente me sinto, sem escolher palavras, sem racionalizar as emoções – para que me entendessem de fato! É um desafio intenso. Pior ainda para quem está cansado do mais ou menos.

Um comentário:

Sandryne disse...

Compartilho contigo do mesmo sentimento, mas sou uma teimosa nata: tudo ainda vai dar certo