terça-feira, 27 de setembro de 2011

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Mulher fácil nunca me atraiu. Vocês talvez pensem que falo de uma coisa, mas falo de outra – sem saber explicar. Não é a mulher que beija após uma troca de olhares, que transa no primeiro encontro, que liga, manda mensagem, procura. Não... é um outro tipo de mulher fácil; ou quem sabe o nome seria mulher acessível.

Enfim, títulos à parte, este é o tipo feminino da nota anterior. Lembram-se que três amigas me ofereceram suas três amigas, enquanto outras duas amigas se insinuavam para mim? Pois bem, de todo este leque de opções – sem o ar pedante que possa parecer existir –, a única que estimulou qualquer atração era justo a mais difícil, a mais complicada. Porque estava lá acompanhada.

Isso não a eximiu de chegar ao meu ouvido e sussurrar que estava a ponto de me agarrar. Engraçado, porque agarrar em espanhol é agarrar, então entendi muito rápido o que se passava. Com as quatro solteiras, meu interesse foi zero, nada, nulo – com a comprometida, eis que qualquer coisa em mim acendeu-se. (E aqui vale um parêntesis: das cinco, a comprometida também era a mais bonita e atraente... além de ser mais velha, outro dos meus “fracos”.)

O fato é que voltei só para casa, como já sabem. Mas fico pensando, buscando mesmo na memória, as causas reais e fictícias do interesse pelo desafio. A verdade é que meu primeiro beijo, de algum modo, nasceu no enlace com uma menina “acessível”. E mesmo contra a vontade, beijei-a – e foi péssimo. Em outros momentos da minha vida, ainda adolescente, rejeitei ficar com algumas colegas “acessíveis” e fui veementemente sacaneado pelos outros meninos da classe.

Com o passar dos anos, descobri que o sexo com corpos “acessíveis” não tinha a mesma graça do que com intimidade e cumplicidade. Que não tem, tampouco, a mesma tensão sexual de quando existe uma proibição, um fatalismo, um receio de perda, de ser descoberto, de punição. Outra vez, e o universo masculino é dos que mais pressão social exerce, tornei-me alvo de chacotas.

Ainda preciso pensar muito para chegar próximo à razão de interessar-me sempre pelo inatingível. De tentar entender porque o acessível me desmotiva. Recordo-me agora de uma frase no caderno de uma ex-namorada de colégio: “Tente o impossível, já que o possível pode esperar”. Estou sempre tentando. Até amanhã.

Um comentário:

Sandryne Barreto disse...

Ai, Gu...vc é um enigma!