quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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Brasília foi para mim, durante muito tempo, o meu afrodisíaco. Agora é o meu veneno. Criei, com a distância e o passar dos anos, uma espécie de repulsa pela cidade, uma repulsa que me faz tremer só de pensar em passar mais de uma semana por lá. Uma semana é o suficiente – e já está.

Mas não era assim. No auge, bem, no auge a capital federal era o meu refúgio. E o auge foi entre os 16 e 18, talvez 20. Em outros termos, enquanto meus amigos também moravam em Brasília. Hoje, após seis anos longe, me perguntam muito da saudade e às vezes finjo-a para não pensarem que sou de todo insensível.

Saudade-saudade, não tenho. Tenho uma certa nostalgia. Ou nem isso. Tenho uma vontade de reunir. De partilhar meus feitos e descobertas com a família, de apresentar amigos antigos a amigos novos, e agregar. Tenho várias nostalgias, no entanto a minha maior delas reside no presente. Quando puder juntar todos, numa grande festa de três dias, me sentirei completo. Brasília, Floripa, Lisboa e Barna num só momento.

Talvez será possível no meu enterro. Afinal, é isso que os enterros fazem com a gente: nos incluem num grande evento ao qual já estamos mortos. Até amanhã.

3 comentários:

Ana C. disse...

Ola, conheci seu blog por meio de um comentário no do Carpinejar. Muito bacana. Parabéns.

Passa também no meu, www.eunodiva.blogspot.com

Abraços e continue na literatura.

Sam disse...

Afrodisíaco e veneno...
A receita perfeita pra uma vida inteira.

Anônimo disse...

Eu venho aqui diariamente, talvez umas duas ou três vezes por dia. E quando eu venho, tudo o que eu quero é me distanciar - que é parte do efeito que sua escrita causa em mim. E com essa último texto, começado com a palavra BRASÍLIA, tudo o que eu não consigo é esse distanciamento. E aí eu fecho a janela tão rapidamente quanto a abri. A questão é: faria bom uso de uma conversa com você hoje. Como todos os dias.
Bom, até amanhã.
N.T.C.