quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O sábado que importa, não a sexta



— Quando foi que ela te disse isso?
— Pouco antes de ir embora.
— Não sei, tuas histórias parecem-me um pouco inventadas.
— E eu lá peço que acredites?
— Calma, foi só uma constatação. Não quis dizer que as inventa, e sim que pareces ter uma mente um bocado fantasiosa.
— Qualquer história é uma versão, e as versões são contadas como bem nos entende.
— Está bem, mas... qual foi mesmo a frase que ela largou?
— O que importa não é com quem...
— Ah, sim! Sim! O que importa não é com quem queres ficar sexta à noite, e sim com quem queres passar o sábado inteiro. Fónix, parece tirada de filme.
— E talvez tenha sido. Mas isso é irrelevante.
— Irrelevante? Vê lá... vocês conhecem-se na noite, saem juntos, vão à tua casa, transam, ela levanta da tua cama, solta-te uma pérola dessa e simplesmente parte, vai embora, some. Achas irrelevante?
— Mais trivial, impossível. As pessoas têm motivações diferentes, Ana.
— Tá bem, tá bem... e com este teu ar calmo queres dizer-me o quê? Que deixará esta rapariga partir assim?
— Como?
— Não vês?
— O quê?
— És muito burro mesmo, pá! Ou muito homem. Dá igual, na verdade.
— Desculpa?
— Ela quer que vás atrás dela, que a procures, que transforme-a no teu sábado.
— Haha, deves tar a gozar. Ela só queria uma foda, nada mais.
— Não, isso é o que tu querias...
— E o que quer que eu faça?
— Não sei, liga pra ela.
— Pra qual número? Ela lá deixou número de telefone? Saiu sem nem dizer adeus.
— Viste bem?
— Viste beeeeem?
— É, não há um número perdido numa cómoda ou assim?
— Pois tás-te a passar!
— Mulher é bicho apaixonado por instinto, Bruno!
— Fazemos assim: vou procurar direito. Se encontrar um papel com o número dela, ligo. Caso contrário, terás de admitir que essa coisa de a mulher agir sempre por paixão ficou na década de vinte, combinado?
— Combinado!
— Aliás, pra onde foste depois da festa? Eu tava tão bêbedo que nem te vi mais.
— Nada, fui esperar o meu sábado...

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