quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A conversa que antecede o gozo (Parte 2)



Maria ajeitou-se na cama. Com três dedos da mão esquerda desatou os dois primeiros botões. Parte de seu peito floreceu diante de Rubem. Ele nem piscava. Prontamente, com os braços em xis, alcanzou a base da blusa e tirou-a suavemente. A pele branca foi-se revelando aos poucos em contraste com a escuridão do dormitório. O sutiã era liso e azul. Rubem recordou de seus quinze anos, quando despertava no meio da noite para assistir escondido aos filmes pornôs em uma televisão portátil preta e branca.

― Que isso? ― perguntou à Maria.
― O quê?
― No seu braço direito.
― Oh, é uma tatuagem ― respondeu a garota, mostrando-lhe melhor. Rubem dividia a atenção entre o desenho e o contorno perfeito dos seios de Maria. ― Fiz quando tinha dezesseis. É uma fada sentada numa lua, pensando em toda a vida que tem adiante. Mas tenho que retocá-la. Quer dizer, quero fazer outra tattoo por cima desta. Tem alguma?
― Fada?
― Não, bobo. Tatuagem ― riu.
― Tenho duas. Uma na perna e outra nas costas. Quer ver?

Sem esperar a resposta, Rubem agarrou a gola da camisa e com um movimento ágil passou-a sobre a cabeça. Seu corpo era moreno e atlético. Havia nadado durante vários anos e tinha os ombros largos e os tríceps definidos. Atirou a peça de roupa a um lado do quarto, penteou o cabelo debilmente com as mãos e deu as costas para a garota.
― Vire um pouco mais... Aí.... Uau, que tattoo massa! ― Maria deu de cara com um desenho que tomava dois terços das costas de Rubem. ― Tem algum significado?
― É Shiva, o deus transformador do hinduismo. Fiz faz dois anos, depois de mudar de cidade. Acreditava que daria sorte levar o amuleto no meu corpo.
― Você se depila?
― Quê?
― É que quase não tem pelo no seu peito. Se depila?
― Passo máquina.
― Mmmm... E na perna?
― Não, na perna não!
― Não ― sorriu de maneira espontânea ―, e a tattoo da perna, o que é?
― Ah, é uma expressão em latim: Memento mori ― Rubem explicou, mostrando a panturrilha com as duas palavras escritas.
― O que quer dizer?
― Lembre-se que vai morrer. Uma vez li num livro, acho que do Séneca, e decidi tatuá-la.
― Nossa, que mórbido...

Um comentário:

Anônimo disse...

Sensual e real...
Alegre e despretencioso...
BOM DIA! :D