sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os quatro filhos



Quero quatro filhos. Cada um de um adeus que dei na vida. Quero uma família grande, com a mesa barulhenta e ambiente caótico. Quero lembranças confusas, uma caravana, dois cães e várias estórias. É que não tive propriamente isso.

Sempre fomos eu, minha irmã, meu pai e minha mãe. Nós quatro nas Páscoas e Natais, aniversários e passagens de ano. Longe de isso ser ruim. Adoro a presença harmoniosa do trio, mas agora quero o outro extremo.

O Artur virá primeiro. Nome forte: de rei, de craque. Será o mais velho, o responsável pelos irmãos, o solitário. Quero que tenha um pouco da minha personalidade. Vai gostar de futebol e de escrever.

Depois virá a Luana. Delicada e tradicional. Menina pacata, com aquela beleza clássica e gênio difícil. Quem sabe nascerá sob o signo de Touro – teimoooosa. Será uma companhia e tanto no interesse pela gastronomia.

Então virá a Beatriz. Bia – vou chamá-la assim desde a gravidez. Figura carismática, olhos verdes, que ficarão apertadinhos quando sorrir. Vai ter jeito para a arte e espírito criativo, tanto para o bem quanto para suas peripécias. Será estonteante, às vezes provocando os ciúmes da irmã. Mas serão amigas, confidentes, andarão sempre coladas.

Por fim, virá o Felipe, com sua independência, sua vontade de voar. Surfista, aventureiro, livre e amante da liberdade, o caçula vai acelerar minhas rugas e a queda de cabelo (se ainda restar-me algum fio). Será um sujeito de coração agregador e puro. Uma relíquia.

E assim serão o Artur, a Luana, a Beatriz e o Felipe. Meus quatro filhos, me fazendo lembrar sempre de Brasília, Lisboa, Barcelona e Florianópolis. Porque um adeus nunca é definitivo. É transcendental: traz mais e novos contos. Um dia, também, terei de lidar com os adeuses deles. Um de cada vez.

2 comentários:

Catarina disse...

Adorei:) Catarina

Anônimo disse...

e a mãe? falta um texto sobre ela hahahahahahahaha