terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pior o certo que o duvidoso



Dois anos desde a despedida. Como o tempo voa, pensou. Dois anos que mais pareciam duas décadas. Viveu tantas coisas diferentes, mudou de cidade, conheceu novas mulheres, muitas mulheres, mulheres interessantes, mulheres que não se interessaram por ele. Afinal, foram vinte e quatro intensos meses.

Vez ou outra, por certo, lembrava-se dela. Do seu perfume, do seu sorriso. Lembrava-se mais naqueles momentos de vazio, quando levantava-se num domingo convencional, acompanhado, e por alguns poucos segundos desejava que aquele corpo nu fosse o dela. Não era. Nunca foi. Saltava de beijo em beijo, de braço em braço, de cama em cama com a esperança de que algum sentimento pudesse chegar aos pés daqueles. Nunca chegou.

O que chegou foi um e-mail. Frio, duas linhas diretas. Era um pedido de desculpas um tanto confuso, com votos de felicidade no meio e uma confissão de arrependimento. Por dois, três, quatro dias leu e releu aquele telegrama virtual. Tentava decifrá-lo, mas era impossível. Tentava decodificá-lo, buscava alguma pista naqueles duzentos caracteres.

Foi tudo uma invenção da minha cabeça?, pensava e repensava. Mas ainda podia escutar o seu nome na voz rouca sendo gritado porta afora durante a despedida. Era um eterno refém desse momento. Nunca devia ter continuado, podia ter regressado, aberto mão da segurança, apostado na loucura. Pois deu as costas ao duvidoso e seguiu seu caminho rumo ao certo.

Nenhum comentário: