sábado, 3 de março de 2012

Final infeliz...



Veio aquele grito rouco. Em castelhano de película:

― Tú conoces miles de personas y ninguna te llega. Y luego conoces a una y tu vida cambia para siempre!

Lucas ouviu quieto. Era Elena, numa última súplica. Ouviu quieto e continuou seu caminho, enquanto deixava-a para trás. Elena parada na rua vazia. Sua voz ecoou no frio intensificado pela escuridão. Parecia cena de película.

Depois desse dia, Lucas não soube mais de Elena, Elena soube pouco de Lucas. Evitavam os mesmos lugares de antes: ele com medo de magoá-la, ela com medo de ser magoada. O fim havia sido previsto antes do início por uma amiga da moça:

― Tempos, Elena. Os seus tempos são distintos ― alertava.

Ignorou o conselho veementemente. Atirou-se de cabeça. Lucas, com ânsia de um amor de película, aceitou calado a condição. Tinha o coração maltratado, e havia erguido uma fortaleza para defendê-lo, a todo custo, dos prazeres e desprazeres mundanos. Elena quis cuidá-lo.

Dividiram afinidades, enlaçaram-se em vontades múltiplas e multiplicaram verdades antagônicas. Mas o término precipitou-se antes que ela pudesse lutar contra. No silêncio do “eu te amo” rouco, discutiram e romperam, repercutiram e cederam. Elena cría, Lucas duvidava. Na rua vazia, virou-se para um último relance, como num gesto de película.

― La vida es una sucesión de torpes desamores, Elena ― latejou, antes de ocultar-se no breu da noite gélida.

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