segunda-feira, 12 de março de 2012

Ser dois



Lembro-me do silêncio e das nossas mãos enroscadas. Lembro-me do corpo nu num robe vinho. Sua pele macia, a seda macia, a pausa macia. E então uma névoa branca do cigarro sobre a cama, no quarto semiescuro.

Fomos.

Lembro-me dos lábios grossos e dos olhos castanhos. Do sonho ritmado, das unhas cravadas nas costas, da pequena morte. Naqueles gemidos lancinantes, as incertezas aclararam-se e o vazio preencheu a minha existência.

Éramos.

Lembro-me de esquecer de respirar, enquanto cada peça de roupa desprendia-se lentamente. Lembro-me do aroma do beijo e do coração não conter-se no peito, saltar pela boca, explodir num sorriso.

Seríamos.