segunda-feira, 9 de abril de 2012

Gente de alma livre


― Tenho curiosidade de ver as coisas que escreves. Ando tão longe dos contos e da poesia que preciso embriagar-me com outros autores. De preferência os bons. E não te sintas pedante ou não penses que falar de ti e dos teus textos é vangloriar-te gratuitamente. Se não nos vendermos, quem o fará?

― Ainda estou no universo mágico de “apenas escreva, o restante vem disso”. Mas sei que mais cedo ou mais tarde tenho de botar a cara à tapa!

― Terei ao menos o prazer instantâneo de ler algum dos textos que comentaste?

― Claro! Mas tenho que pegá-lo no meu computador, que está no meu avô. Deixei na casa dele antes de viajar e ainda não passei para buscá-lo. Mas eu escolho qual mandar... Ah, como esqueci de te falar? Comentava com meu avô sobre você um dia desses e eis que ele solta: “já gostei desse rapaz, é como eu. Busca o que quer e o destino faz o resto. Quem diria que um português, que vagava pelo mundo trabalhando feito um cão, entraria num navio rumo à Argentina e, numa aposta de jogo de baralho com os amigos da cabine, apostaria descer no Brasil? E cá estou. Gostei. Gosto de gente como a gente, gosto de gente de alma livre”.

― E já gostei imensamente do teu avô, ainda que ele seja sportinguista...

― E vascaíno.

― A gente releva... as pessoas de alma livre às vezes têm times podres.

― Hahaha, como você.

― Sabia que diria isso.

― Foi previsível.

Um comentário:

Anônimo disse...

E por intermédio daquela pequena alma que ansiava a liberdade, os dois acabaram se conhecendo de uma maneira bem mais crua e leve; que não o fariam se não fosse pelas almas livres que tinham em comum.