quarta-feira, 30 de maio de 2012

O pra sempre sempre acaba



Amigos leitores, Renato Russo estava certo. Mudaram as estações e minha rinite alérgica me recorda que espirrar uma vez pode ser bom, duas é até engraçado, mas cinco vezes seguidas é exagero. Sem contar o nariz sempre escorrendo, numa cascata de catarro aquoso. Nem quero imaginar a quantidade de árvores que ajudo a derrubar com tanto lenço recorrido.

Mas Renato Russo estava certo não porque mudaram as estações, mas porque a mudança das estações culminou numa sábia e famosa frase: “o pra sempre sempre acaba”. Nada é eterno, e até mesmo os meus atchins – que na primavera parecem infinitos – terão o seu fim. É assim também num relacionamento.

Eu sei, cá estou eu falando mais uma vez de relacionamentos. Não se aborreçam comigo. A gente costuma despejar no papel aquilo que tem muito – espirros e catarro – e pouco – namoradas e amor. No entanto, se já me defini como um romântico patético no passado, do tipo mais coração que razão, hoje pendo para o romântico cético, do tipo mais dúvidas que certezas.

Por exemplo: não acredito em algo que cri com afinco: a eternidade. E o mal da nossa crença no amor é venerar a eternidade. “Até que a morte os separe” é de uma cegueira decrépita. Nelson Rodrigues foi mais longe ao transbordar uma enorme lucidez assim: “Todo amor é eterno. Se não é eterno, não é amor”. Logo, nada é amor.

Cada vez mais penso que romances vêm e vão, que namorados rompem, casados se divorciam, amantes se abandonam. O definitivo no amor é a indefinição. E de que adianta estar junto por estar? Dizem que o mal do nosso tempo é que não somos acostumados a consertar. Quando está mal, quando algo estraga, trocamos em vez de comprar um novo.

E antigamente? Era melhor? Talvez houvesse mais relações fictícias, relações de aparência, e gente infeliz. A mudança era uma heresia – era preciso estar junto, ainda que a linha da crença na união e da persistência no amor tivesse sido rompida. Como relativista nato e hereditário, concluo: não há certo ou errado, devemos perceber o tempo das coisas.

Nada dura para sempre… o para sempre sempre acaba.

4 comentários:

Anônimo disse...

E talvez mesmo por acabar, vira eterno, fica gravado na pele, no coracao e a alma nao esquece.
Eterno? se for amor sera eterno sim..... e o para sempre vira para sempre mesmo.
Nelson tem razao.

Ricardo disse...

Pensava que lhe tinha perdido o percurso... afinal você até anda a deixar um rasto de água para trás. Já pensou quantas árvores você ajuda a plantar com os seus espirros? É, com tanta humidade no ar a natureza te fica agraciada.
Olha, tenho andado a seguir um blogue que você talvez goste:
http://pauladeoliveiracarvalho.blogspot.pt/
Agora que te encontrei, vou tentar passar por cá mais vezes.
Um abraço de seu vizinho de Portugal.

Sandryne disse...

Belo texto, Gu

Drêycka disse...

Ainda fico meio relutante em concordar, apesar de que no fundo, no fundo, parece ser isso mesmo...