quarta-feira, 23 de maio de 2012

O que é o amor se não um boa transa?



Amigos leitores, comprometo-me a publicar uma crônica cada quarta-feira – reparem que o adjetivo “nova” foi estrategicamente omitido –, mas vocês não precisam fazer o mesmo e se comprometer a lê-la toda semana, religiosamente. Afinal, sei que uma das duas partes, mais cedo ou mais tarde, romperá o acordo.

Até os aconselho a não me ler, recordando um texto do Rubem Braga. O cronista mineiro expressou sua vontade mais sincera ao escrever “não me leiam”, e agora repito o apelo. Façam algo mais interessante: sei lá, sexo. Não que desacredite na escrita – é a minha que tem carregado poucos atrativos.

Alguém que escreve descrente do romantismo não deveria escrever. Deveria ser metido numa sala escura e receber doses cavalares de Nicholas Sparks, Cameron Crowe, Celine Dion. No mínimo. A proibição de ter um papel e uma caneta ou um computador viria em caso de primeiro insucesso. Mas como tais recursos kubrickianos não atingiram a nossa época (não na sua forma explícita), tenho a permissão para produzir os meus textos.

O amor romântico é uma crassa bandalheira. O que chamamos de amor nada mais é que sexo. Puro enlace carnal. E é aí quem vem a confusão: se a transa é boa, atribuimos-lhe amor. Nada mais lógico. Já viram amor sobreviver a transa ruim? Ou melhor, nenhum amor jamais nasce, cresce e se reproduz a partir de dois corpos que não se encaixam em nada.

Usei o termo “confusão” e cravei que à transa boa atribuímos-lhe o amor, porém serei menos xiita. Nem sempre, amigos leitores… nem sempre. Algumas vezes uma transa boa é apenas uma transa boa. Sexo tal qual – masturbação a dois, sem a necessidade de palavras, abraços ou carinhos a seguir ao gozo.

Outro dia tentava convencer uns amigos de que o sono é mais íntimo que o sexo. Creio que a maioria das pessoas sexualmente ativas compartilhou a mesma cama mais vezes transando que sonhando. Tanto que o sinônimo de fazer amor é dormir juntos. E o de transar? Deveria ser “dormir separados” ou “cada qual em casa”. Talvez fosse plausível.

Amor é ponto de vista. Sexo é se desvista e ponto.

3 comentários:

Anônimo disse...

Não me convenceu de que você mesmo acredita no que escreveu. Parece-me um menino mimado querendo que te provem o contrário. E bem, garanto que não será Nicholas Sparks que o fará. Pois bem, pode ser que a errada seja eu. Ou pior, que ambos estejam certos. De qualquer maneira,um elogio às suas crônicas, um outro lado teu excelente. E não tenho dúvidas de quem será a parte que romperá o acordo primeiro.

Sandryne disse...

Essa última frase dá um belo título de livro com a reunião das tuas melhores crônicas e contos relacionados a sexo, amor, saudade, solidão....patenteia logo ela...hahahaha. E a anônima, sempre presente ;)

Bípede Falante disse...

Sexo é para todos.
O amor, não.
E menos ainda um bom sono!!
Beijo :)
BF