quarta-feira, 13 de junho de 2012

Amar sem amar



Caros amigos, tinha a crônica desta semana pronta. Prontíssima. Lida, relida, revisada, aprimorada. Como deve ser. Escrever é a arte de reescrever. Não sei se a frase é de Proust ou Barthes.

Mas aí ontem, Dia dos Namorados no Brasil, Facebook salpicado de recadinhos carinhosos e amorosos, e a veia revoltada dos meus vinte anos saltou-me à testa. Uma andorinha não faz verão, diz o ditado. Mas duas já podem criar uma pequena revolução – ainda que dure alguns minutos, seja patética e termine, como quase sempre, num discurso bonito e vazio.

Esta é a efêmera conversa com uma amiga, via chat, na noite de 12/06/2012:

GJ: – Vamos criar a campanha: “Abaixo a monogamia!”. Por um mundo promíscuo...
NC: – Ai, credo. Quanta amargura a nossa. Deixa o povo amar em paz.
GJ: – O povo não ama como se deve amar. O povo ama convencionado, e torna da convenção do amor uma vitrina pública.
NC: – Como se deve amar?
GJ: – Sem amar.
NC: – Amar sem amar. Como funciona?
GJ: – Por que você está viva? Sei lá, fisiologicamente falando...
NC: – Prossiga...
GJ: – Porque come, bebe, dorme... de forma natural, sem estardalhaço. Pois o amor seria mais amor se fosse “naturalizado” em nossas vidas, e não se houvesse esse alvoroço todo em torno dele. O alvoroço o alça a algo exclusivo, a meta de vida, a desafio, a raridade... O amor devia ser tão básico e vital quanto todas as funções básicas e vitais que nos fazem continuar respirando. E tudo que vai contra isso não me convence da sua verdade... melhor, da sua pureza e autenticidade.
NC: – Sem mais. Concordo.

Na próxima quarta juro que não sucumbirei à tentação de mudar o texto na última hora.

2 comentários:

Eliezer disse...

Amar sem amar ou viver amando...
Amor sem vai e vem, amar todo dia sem saber a quem!!!

Anônimo disse...

Mas ao mesmo tempo que concordo, penso: quem é você, quem sou eu, quem somos nós pra julgar o que é amar e como se deve amar?
Tão pequenos, tão crus, mendigando migalhas de um amar inexplicável. Prefiro ainda admitir um pouco de amargura e seguir sem saber o que é e muito menos como se deve fazê-lo.