quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vista de cerca, toda la gente es rara



Venhamos e convenhamos, jogador de futebol é um tipo bem estranho. Como é época de Eurocopa e me vejo cercado de mulheres assistindo às partidas, normalmente tenho escutado comentários sobre a beleza dos atletas. Não que não façamos o mesmo quando vemos tênis feminino, vôlei de praia, ginástica olímpica ou a seleção argentina de hóquei de grama.

Eu convivi com futebolistas quando fui setorista do Avaí, em Florianópolis, e assino a afirmação: poucos se salvam. Contamos nos dedos quem tem mais que um pezinho bonito – no sentido figurado, lógico. Estou pisando em ovos para não me interpretarem mal, mas o fato é que jogador que é jogador possui outro tipo de inteligência.

Estou fugindo do tema central. O contexto era para dizer que eles são estranhos, que ninguém escapa de ser estranho. Na tevê, se mostram impecáveis e imponentes, desfilam habilidades, distribuem passes milimétricos, despejam dribles desconcertantes, constroem e destroem ilusões. Agora vai ver os cacoetes, as manias, os tiques de cada um. Nem o Guardiola salva, revelou-me um amigo que já presenciou uma conferência de imprensa do ex-treinador culé.

A verdade é um mantra que tenho repetido dia e noite: de perto, todo mundo é estranho. A intimidade “fode” tudo, com o perdão da palavra. Ou não. Uma pessoa bonita, digo, fisicamente bonita, pode causar asco em minutos. O inverso também ocorre. No meu time, pouco me importa se o cara é raro, se come meleca, tem baba no canto da boca, só caga pelado, tem mania de atenção, fica agressivo quando bebe, faz barulho quando ri, tem medo de arroz, tem tara por sovaco, gosta de fazer sexo com meia… o importante é que jogue bem.

E na amizade? E a mulher que estou afim? Mário Quintana dizia que os amigos são os nossos chatos prediletos; Nelson Rodrigues que o amor é a idolatria dos defeitos e não das virtudes. Faço um adendo: gostar é naturalizar as esquisitices do próximo – é admiti-las, ignorá-las, repeti-las e, inclusive, sensibilizar-se por elas. Al final, vista de cerca, toda la gente es rara.

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