quarta-feira, 11 de julho de 2012

Há burrices… digo, crenças recompensadas!



Eu sou cercado por ingenuidades envolvendo dinheiro. Já paguei R$ 15 num tapete comum que devia valer 1/5 disso; R$ 25 numa carteira que me arrependi 30 segundos depois, não usei uma vez sequer e tive vergonha de voltar na loja para trocar; R$ 4 e pouco numa fita crepe… numa fita crepe! Já comprei um computador que demoraram três meses para me entregar e um CD de jogo via internet (nos idos da rede mundial) que veio errado, então pediram para que eu enviasse de volta e me mandariam o correto. Até hoje, neca.

Mas nada supera o do Raval. (Antes de tudo, Raval é um bairro de Barcelona famoso pela imigração árabe. Está cheio de indianos e paquistaneses. O local, inclusive, ganhou o apelido de “Ravalistan”, uma menção ao Pakistan.)

Amanhã volto à festa onde dei 20€ a um vendedor de cerveza-beer à espera do troco. A história beira a estupidez. Mas só beira. Ela tem muito mais de crença na honestidade que um sentido de burrice. Pelo menos é assim que prefiro contá-la. Ou encará-la. No fim das contas, o que foram 20€ para uma noite que me presenteou com duas pessoas formidáveis.

Alto lá. Não vou colocar o carro na frente dos burros (por que vocês automaticamente pensaram em mim?). Já disse que cometo ingenuidades crassas e pcfariasínicas quando o assunto é dinheiro, e a do Raval, a dos 20€, foi a seguinte: a latinha na rua vale 1€ e decidi comprar uma com a nota azul. Acreditei no amigo paqui quando ele disse que não tinha troco, que iria trocar e voltava já. Acreditei não porque sou um quadrúpede da espécie asinina, e sim porque trata-se de um povo muito justo e idôneo por natureza.

Pois ele sumiu no meio da multidão, deixando comigo dez cervejas. O mais cômico foi a mistura de raiva com esperança – guardei o pack do paqui como se não fosse meu, e não era!, até que resolvi vendê-lo e reduzir meu prejuízo. Passei a noite toda remoendo a minha idiotice, digo, a minha fé na humanidade, sem dar-me conta de uma frase lançada por alguém no meio da noite:

– Há males que vêm pra bem…

Essas frasesinhas de efeito. Blergh! Justo nessa noite, porém, conheci a Clau e a Lili – duas mulheres interessantíssimas, dois corações vibrantes que se mesclaram à minha existência. “Há males que vêm pra bem.” Não, não. Prefiro pensar que há burrices recompensadas. Digo, fé na humanidade! fé na humanidade! Pouco me importa se tiver de perder 20€, 50€, 100€ a cada ano em troca de amizades tão puras e revigorantes. Tenho certeza que aquele paqui não tem um pack de tão bons amigos como eu tenho.

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