quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Melhor acreditar em superstição



Amigos leitores, é melhor eu admitir antes que seja tarde: sucumbi às superstições. Outro dia, com as voltas que sua vida amorosa dava, um amigo bradou em extrema agonia etílica: “É um fardo, um grande fardo este inferno astral! Eu disse! Começou… justo no mês antes do meu aniversário”.

Confesso que sempre respondi com um sorriso complacente a esse tipo de alegação. Dei um tapinha nas suas costas, enchi nossos copos com cerveja, brindamos por hábito e no trago pensei no quanto nos forçamos a acreditar na ânsia de justificar tudo. O que não sabia é que quase trinta dias depois minha opinião estóica começaria a mudar.

Também por causa do amor. Ou do desamor. Ainda não tenho claro se são as mesmas coisas ou coisas diferentes. Se são. O fato é que, sem mais rodeios, foi a vez de uma amiga experimentar o tal “inferno astral” anunciado e propagado aos quatro ventos. Bastou ela botar o pé no mês que antecede o apagar das velinhas e, pufffffff, o que estava bem degringolou. Coincidência? Chama o padre Quevedo!

Aliado a isso, agosto não foi lá muito agradável. Vocês já devem estar seguindo a pista de onde essa constatação chega: agosto é conhecido como o mês do desgosto, do cachorro louco. E assim foi. Ou está sendo. Pode piorar, ainda estamos em agosto – por mais três dias para quem lê e cinco para mim que escreve… Imagino que será quase impossível chegar à data de publicação desta crônica sem um sobressalto sequer.

Nunca fui de superstição, mas neste 2012, ano do fim do mundo, melhor acreditar nela. Ao menos serve para nos conformar sobre algo ruim. Quero ver se setembro também correr mal... Sendo meu aniversário só em abril, talvez possa atribuir a um inferno astral supradiantado. Ou então justificar que não me dou bem com anos pares. É a esperança de melhora, afinal, que sempre nos renova.

Um comentário:

Neus Ferrer disse...

Gustau Jaume, sería tan amable de traducir para mi las palabras: “bradou” ,“fardo”, “velinhas= velas?”, “degringolou”, y “supradiantado”? ...........no tengo un diccionario de portugués en casa, y los programas de traducción en internet no están a la altura de sus escritos!!. Obrigado.