quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Isto de ser adulto...



Amigos leitores, isto de ser adulto pode até ser divertido, mas tem horas que cansa. O pior é que profetizam o caminho. Ameaçam-nos, quando somos crianças, ao dizerem: “Olha, aproveita agora que é a melhor fase da vida!”. E a gente até acredita, com os olhinhos vidrados no interlocutor, mas aí o danado do tempo passa voando e a gente se torna um poço de responsabilidades e preocupações.

Outro dia uma amiga propôs uma festa à fantasia bacana: todos vestidos do que gostaríamos de ser quando crescesse. O lampejo nasceu na Catalunha, e eu comentei com ela que se fosse no Brasil a maioria dos homens estaria de jogador de futebol. É verdade, eu queria viver do esporte bretão, mas também já quis ser lixeiro – é que sempre gostei da cor laranja. Na festa, talvez optasse pelo segundo só para ser diferente.

E por falar em ser diferente, esse afã levou-me a onde estou hoje: Barcelona. Quero evitar o “eu, eu, eu” – me disseram que ando usando muito o “yo, yo, yo” –, mas também quero comentar com vocês que ultimamente tenho refletido sobre essa escolha de caminho. Parece, ou fazem parecer, que são dois rumos distintos: o profissional e o coração. Isto de ser adulto...

Mentira. Os rumos se abraçam quando trabalhamos no que desfrutamos, na cidade que gostamos, ao lado das pessoas que apreciamos. No entanto, diante do meu vaivém, vejo que é cada vez mais difícil agregar TODOS esses conceitos. Quando tive de optar por um (profissão) ou por outro (vivência), elegi o número 2. No menu veio a mudança a Lisboa – e ainda que estivesse fazendo um mestrado, sabia que era “apenas” uma justificativa –, o gradativo afastamento do jornalismo e, em seguida, Barcelona e a instável vida de freelancer como tradutor e revisor de texto.

Em quatro anos, de repórter do Diário Catarinense e depois assessor de imprensa da Caixa Econômica Federal passei a ter o “ofício” de desempregado. E com a mesma pressão de precisar pagar as contas que tinha antes – ouso dizer, com até mais encargos. Querem saber? Isso me encanta. De verdade: me fascina. É como me sinto outra vez criança, e por mais que as responsabilidades e preocupações me rondem, flerto com a liberdade de traçar o meu destino – sem o medo de perder isso ou abrir mão daquilo.

Talvez, afinal, me vestisse de mim mesmo na tal festa à fantasia. Talvez se esse eu de nove anos de idade me encontrasse com o eu de hoje, pensasse orgulhoso: “Que massa a sua vida!”. Tudo bem que, antes, teria de gastar pelo menos uns trinta minutos explicando os motivos de não termos nos tornado um jogador de futebol famoso.

Um comentário:

Anônimo disse...

E de alguma forma inconsciente, esperei pelo texto da quarta do dia 12 como uma criança. A essa altura do campeonato, já deveria ter aprendido a "ser adulta", menos esperança estéril e esperas inúteis. Enfim, bom texto, como sempre...