quarta-feira, 13 de março de 2013

O meio-amor - Parte I



– Mais que a falta de amor, o que me aflige é o meio-amor.
– Meio-amor? E como seria isso?
– Este amor mais ou menos, que não preenche nem esvazia, este comodismo sem altos e baixos, um amor tão corriqueiro como ovos mexidos ou sapatos desamarrados.
– Dizem que o novo amor nada tem a ver com o sentimento, e sim com afinidades.
– O dia que o amor perder a capacidade de amar e sucumbir aos tecnicismos da vida moderna, será o nosso fim... Amor sem uma ponta de inconsequência não perdura.
– Acho que é um pouco radical da tua parte. Conheço casais que vivem uma relação equilibrada e nem por isso há escassez de amor. O teu medo real qual é?
– E eu conheço casais que passam a impressão de uma relação equilibrada e que, na verdade, vivem uma grande mentira. Já dizia Nelson Rodrigues: “Não ama seu marido? Pois ame alguém, e já. Não perca tempo, minha senhora!”.
– O amor não tem de ser insano para ser amor. Pode ser sadio.
– Mas tem de ser amor.
– E isso não é óbvio?
– Tão óbvio que às vezes esquecemos.
– Perguntei do teu medo e você não respondeu...

Nenhum comentário: