terça-feira, 2 de abril de 2013

Carta aberta ao risco - Parte III



Outro dia pensava nas voltas que a minha trajetória deu para que eu chegasse até aqui. E como, afinal, serviu para definir e continuar definindo o meu caráter. As pessoas têm o hábito de afirmarem, convictas, que não repetiriam determinadas situações de tristeza ou desilusões e que, se pudessem voltar ao passado, fariam diferente. Eu não. Cada passo em falso me conduziu a ser o que sou hoje – e os novos erros me conduzirão a muitas outras coisas belas e empolgantes.

Se me dissessem há três, cinco, dez anos que em 2013 estaria em Barcelona, a desconfiança se interporia a vontade. E, então, não há outro lugar que consigo me ver que não seja aqui. Só não pense que tudo, antes, foi maravilhoso. A necessidade brotou de horas de horas e horas de melancolia profunda, de momentos de agonia solitária, de lágrimas em silêncio. Do caos, nasceu a estrela. E a sua estrela espera aí fora, ao relento. É preciso sair para vê-la, perambular pelo jardim do mundo, percorrer os becos escuros e ruas desertas e deparar-se com inúmeras outras estrelas para saber qual é a sua. Talvez esteja onde você sempre esteve. Talvez esteja num lugar novo, a ser descoberto.

A verdade é que merece a aventura, merece cada segundo do risco. A vida sem risco é respirar por respirar. Por receio de espirrar, você não vai querer sentir o aroma de uma flor? Viver é mais que contemplar a tela, mais que contornar os traços já desenhados. Arrisque-se. Pinte a sua própria história de múltiplas cores. Garanto que você se reconhecerá uma artista, e tanto, do cotidiano.

Um comentário:

T disse...
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